Edifício

 

Em pleno centro da cidade de Vila Nova de Famalicão, mais concretamente no centro da Praça D. Maria II (vulgarmente denominada Praceta Cupertino de Miranda) ergue-se o edifício-sede da Fundação Cupertino de Miranda, reconhecido como um dos ex-libris do concelho.

É um edifício emblemático tanto pelo seu revestimento azulejar, da autoria de Charters de Almeida (n. 1935), como pela estrutura helicoidal da torre com 10 pisos, 21 salas e 34m de altura.
A obra, dirigida pelo Eng.º José Fortunato Paulino Brandão Freire Themudo e com o projecto de arquitectura da autoria do Arq.º João Abreu Castelo Branco (acompanhado e completado pelo Arq.º Luís Praça), foi implantada num terreno de 1.189m² cedido pela Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, em 1966, para a edificação da sede da Fundação Cupertino de Miranda. A sua construção foi assumida financeiramente pela própria Fundação através de rendimentos e dotações dos seus fundadores.
A título de curiosidade, apresentam-se alguns materiais utilizados: 180 toneladas de ferro, 51.450 azulejos, 949 vidros e cristais, 13 Km de perfis de alumínio e 1.306 m² de alcatifa.
Com um custo total de aproximadamente 26.130 contos (130.336€) e uma área útil de pavimento de 7.717m², foi construído em dois anos – a primeira pedra foi lançada, pelo fundador, a 15 de Setembro de 1967, em data de seu aniversário, e foi inaugurado a 8 de Dezembro de 1972 com a exposição intitulada 1.ª Bienal Nacional de Artistas Novos, constituindo um acto de extraordinário relevo público e social, contando com a presença, entre outras individualidades, do então Presidente da República, Almirante Américo Thomaz.

A torre é revestida exteriormente, em toda a sua extensão, por quatro painéis de azulejos, justificados por Charters de Almeida, na sua Memória Descritiva dos Painéis Cerâmicos Decorativos da Fundação Cupertino de Miranda, e publicados pela Fundação Cupertino de Miranda em 1971.

Painel Sul

 

"Alegoria à Educação e às Artes: Neste painel, vê-se uma figura de grandes proporções que parece liberta de qualquer apoio e que levanta com a mão direita, em atitude de Vitória, um elemento, que poderá simbolizar um facho ou um elemento orgânico. Do lado esquerdo do painel – estando nós virados para ele – desenvolve-se um outro elemento, ligado a esta figura, que simboliza um livro, sugestão de cultura.
Na parte de baixo da composição, vê-se uma figura que tanto pode sugerir a dança, como as artes plásticas, através da escultura. Na base direita da composição, vê-se uma outra figura, que segura um instrumento musical.
Logo, neste painel Sul, foquei: a educação, as artes plásticas e rítmicas, sendo toda a composição imbuída de um espírito de elevação, de triunfo."

Painel Este

 

"Protecção: Neste painel, quis focar os fins humanitários da Fundação através da protecção. Vêem-se, pois, duas figuras, uma por detrás da outra. A figura da frente está como que despida e a de trás parece que a poderá cobrir ou abraçar.
Aqui as formas têm um «pulsar» mais sereno, como que mais recolhido, e que me pareceu estar de acordo com a ideia." 

Painel Norte

 

"O Homem e o Universo: Tudo neste mundo é feito pelo homem e para o homem. Por maiores que sejam as perspectivas que o homem procura no Universo, encontra-se sistematicamente a relação Homem-Universo.
Assim, neste painel há como que uma sugestão de um Globo gigantesco, que nos é dada por «um pano de fundo» e sobre «esse pano de fundo» vê-se uma figura humana, que suporta um outro globo perfeitamente dominado. Este domínio é-nos dado através da proporção.
Vêem-se também uns pequenos pontos, espalhados pelo painel, em que pretendi sugerir o espaço celeste." 

Painel Oeste

 

"Conjugação dos esforços: Para que alguma ideia floresça, é necessário que haja convergência de esforços. Convergência, por contraste ou não, mas convergência para um ponto. Nesse ponto de reunião dá-se a florescência. Poderá, pois, ver-se neste painel uma figura que está orientada de cima para baixo e uma outra de baixo para cima. No seu encontro, surgem folhas, frutos ou flores, sugerindo essa mesma florescência." 

Comporta ainda seis painéis mais pequenos: Os painéis pequenos são resolvidos por fragmentos aparentes dos painéis grandes. São, por assim dizer, letras de um alfabeto de que me servi para construir as frases dos painéis grandes. São formas, formas em toda a sua abstracção, mas que se definem e objectivam plenamente nos painéis grandes.
Procurei resolver todos estes painéis com unidade e equilíbrio, sem no entanto cair na monotonia.

Charters de Almeida acrescenta ainda que: “Muito gostaria que fosse na observação que viesse a determinar-se a verdadeira memória descritiva do meu trabalho, pois defendo a tese de que a obra de arte há-de ser motivo de diálogo entre ela e o observador.
E para que assim suceda pelo melhor é necessário que o observador a vá descobrindo e compreendendo progressivamente.”

Piso 0 Piso 1 Piso 2 Piso 6 Pisos 7 e 8
Recepção Centro Português do Surrealismo Biblioteca Sala Mário Cesariny Administração
Livraria Museu Torre Literária
(que se estende de forma helicoidal até ao piso 5)
Sala Cruzeiro Seixas Equipa FCM
Auditório Pequeno Auditório   Sala Fernando Lemos  
Serviço Educativo Sala de Reuniões