• “RUI AGUIAR - DAS RAÍZES DISPERSAS”
    Exposição Temporária

    30 de abril a 10 de setembro de 2022

RUI AGUIAR - DAS RAÍZES DISPERSAS

 

Rui Aguiar, nasceu no centro do Porto a 20 de junho de 1944.

Sem ter estado ligado – por idade e pelo seu espirito livre – às atividades coletivas dos surrealistas portugueses, existem na sua obra (pinturas, desenhos, colagens, fotomontagens, assemblagens e objectos) fortes ligações com as práticas artísticas surrealistas, em diálogo de sucessivas justaposições, conjunções ou fusões com práticas vindas dos quatro pontos cardeais da Modernidade artística. Nesta exposição temos, assim, uma seleção de trabalhos que revelam influências dos movimentos artísticos dos finais do século XIX e início do XX.

É um momento para recordar e reconhecer conceitos que informaram o discurso poético e estético do artista, bem como um testemunho das raízes dispersas do movimento surrealista, e dos seus diferentes caminhos.

A exposição reúne trabalhos inéditos datados do início da sua atividade até aos dias de hoje. Trata-se de uma mostra semi-antológica, com algumas das suas obras mais significativas das décadas de 70 a 90, juntamente com obras mais contemporâneas do universo da arte digital. Com uma obra experimental e eclética, à semelhança dos artistas da sua geração, essencialmente caraterizadora do abstracionismo e da Arte Povera, redescobrimos nas suas obras, mais do que talvez esperássemos, as influências dos movimentos artísticos do início do século.

Itinerário de um artista “absolutamente moderno”, que tem sabido, e sabe, que o assombro e o prazer do conhecimento e de dar realidade ao sentido da palavra (o verbo criador), própria de cada linguagem, é um privilégio de crianças e de artistas que sabem manter a maneira de dialogar com a realidade através do “olhar selvagem”, de que Breton falava.

Rui Alberto Aguiar Vieira, assina como Rui Aguiar, nasceu no centro do Porto, mais
concretamente na freguesia de Cedofeita, a 20 de junho de 1944.

Frequentou a Faculdade de Ciências da Universidade do Porto para depois ingressar na Faculdade de Engenharia da mesma universidade, nas antigas instalações da rua dos Bragas, onde se licenciou em Engenharia Química-Industrial. Entre 1971 e 1973, prestou serviço na Marinha, nos Açores. Ficou ligado à atividade cultural açoriana e foi um dos sócios fundadores da galeria Teia e forte impulsionador das galerias Degrau (Terceira) e Francisco Lacerda (São Jorge).

Expõe regularmente desde 1972 em mostras individuais e coletivas. De 1988 a 1989 desenvolveu investigação como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian. Está representado em diversas coleções e museus, nomeadamente a Wassenhove Collection (Bruges); Lalit Kala Akademi (Nova Deli); Museu do Desenho de Estremoz; Secretaria de Estado da Cultura (Porto); Câmara Municipal de Matosinhos; Museu de Arte Contemporânea - Fundação de Serralves; Coleção da Caixa Geral de Depósitos; Coleção do Ministério das Finanças; Centro de Arte Moderna - Fundação Calouste Gulbenkian; Museu Municipal de Amarante Amadeu Souza-Cardoso; Castelo Centro Cultural (Açores), Fundação Portuguesa das Comunicações (Lisboa); Museu de Arte Contemporânea da Bienal de Cerveira. Foi distinguido com os seguintes prémios:
Menção Honrosa de Pintura, 1984 - IV Bienal de Cerveira; Grande Prémio de Pintura,
1985 - Exposição de Arte Moderna A.F.O - Museu Nacional Soares dos Reis; Prémio de Aquisição, 1986 - IV Trienal da Índia - Academia Nacional de Arte de Nova Deli; Prémio de Aquisição, 1988 - Bienal “Mom’Arte”, Vila do Conde; Prémio “S. João” de Pintura, 1989 – Porto; Grande Prémio de Pintura, 1992 - VII Bienal de Vila Nova de Cerveira; Prémio Exposição Nacional de Pintura B.F.C., 1993; Menção Honrosa - Prémio Baviera de Pintura - 2000, Casa de Serralves – Porto; e homenageado como Pintor nos Trinta Anos do 25 de Abril e Centenário de Almeida Garrett, em 2004.

A sua atividade artística não se esgota na pintura. Iniciou-se como cenógrafo, em 1983, com a Pé de Vento, companhia a que esteve ligado durante mais de dez anos. Colaborou ainda com os grupos Kallandraca (Galiza), Théâtre Poéme (Bruxelas) e O Bando (Lisboa). Desenhou e construiu cenários e figurinos várias peças: A Guerra do Tabuleiro de Xadrez e Entregues à Bicharada, de Manuel António Pina; Na ilha do tempo, de Álvaro Magalhães; Ditos e feitos, de João Manuel Fernandes; Andando andando, de Teresa Rita Lopes; O Privilégio dos caminhos, de Fernando Pessoa; O Físico prodigioso, de Jorge de Sena; Alma Atlântica, autores vários; Um homem de bem e A morte do palhaço, de Raul Brandão; O Segredo, Richard de Demarci; O aniversário da infanta e O jovem Rei, de Oscar Wilde; O Papalagui, de Erich Scheurmann, e O Hobbit, de J.R.R. Tolkien.

No campo da ilustração, o seu nome surge essencialmente associado à editora Afrontamento, onde criou e colaborou na coleção de poesia desde 1979, nomeadamente nos seguintes títulos: Os alicates do tempo (1979); Quotidiano Mulher (1980); Os Sextos Sentidos (1982); A paixão das Armas (1983); Delitos (1983); Prosaicas (1985); Cinco passos ao Sol (1986); As margens do murmúrio (1987); Madison e outros lugares (1989); Das Palavras (1989); Investigação da alegria (1989); Figuras - poesia 56-80 (1989); Conjuntivo Presente (1991); Ode Estática (1991); Três histórias do futuro (1982) e Corpo Intenso (2003).