Itinerâncias nacionais

O Surrealismo em Portugal na coleção da Fundação Cupertino de Miranda

Comissáriado por Marlene Oliveira

Inauguração "O Surrealismo em Portugal: Coleção da Fundação Cupertino de Miranda", no dia 26 de janeiro de 2019, às 17h00 , no Museu da Cidade de Aveiro.

 

A presente exposição representa de forma muito singular o acervo da Fundação Cupertino de Miranda, mais propriamente do Centro Português do Surrealismo.
Autores como Mário Cesariny, considerado um dos expoentes máximos do Surrealismo Nacional, está aqui representado com algumas das suas principais obras, datadas dos inícios do Surrealismo Nacional.
Fernando Lemos, reside atualmente no Brasil, partilha também desta mostra com fotografias de 1949-52, reconhecidas do público depois de 1977. Recebeu em 2001 o Prémio Nacional de Fotografia.
Mário Botas exibe uma obra, um retrato de Cruzeiro Seixas em 1973. Apesar da sua breve existência, faleceu aos 30 anos, a sua obra recebeu a atenção de galeristas e críticos de arte tanto a nível nacional como internacional, distinguida pela sua qualidade e inovação.
Julio, como era conhecido nas artes Júlio Maria dos Reis Pereira, e na escrita por Saúl Dias, irmão do escritor José Régio, tem 3 obras apresentadas da década de trinta, tendo por base a inspiração feminina em grande parte das suas obras.
Raúl Perez destaca-se pela sua monocromática, pois grande parte das obras são a preto e branco, quase como um espelho sombrio dos sonhos. Aqui apresenta uma obra de 1989, retratando uma “Torre Alada”. Está ligado, desde cedo, ao surrealismo português, nomeadamente aos principais artistas surrealistas – Mário Cesariny e Cruzeiro Seixas.
Paula Rego, única mulher aqui representada com 2 obras datadas de 1969 e 1970, é uma figura incontornável da arte portuguesa que sofreu influência surrealista nas décadas de 60/70. O seu trabalho nessa época revelava cenários rocambolescos, com casos sinistros e abstratos, transpondo mensagens ao estado da política ditatorial da época.
Desde 1957, Eurico Gonçalves confronta regularmente a figura e o signo. O seu automatismo é de um gestualismo repentista e improvisador de signos puros, que nunca são retocados. Estes signos são realizados como um ritual, como se pode observar nesta obra de 1958 o “Bailado Minhoto”, demonstrando a intenção de encontrar a harmonia cromática e da plenitude.
Carlos Calvet, arquiteto de formação, cedo se interessa pela pintura e posteriormente pela fotografia e realização de filmes. Aproxima-se do Surrealismo, nomeadamente do núcleo Os Surrealistas - de Mário Cesariny, António Maria Lisboa, Risques Pereira, Cruzeiro Seixas, Pedro Oom, Fernando José Francisco, Carlos Eurico da Costa, Fernando Alves dos Santos e Mário Henrique Leiria - embora oficialmente não faça parte do grupo. O seu percurso artístico passou mais pela pintura, expondo regularmente, principalmente as obras dos anos 50/70.
Nesta mostra temos também representados artistas internacionais, como Sergio Lima, Rik Lina, Philip West, Eugenio Granell, André Breton, Greta Knutson, Tristan Tzara e Valentine Hugo, que mantiveram, e alguns ainda mantêm, ligações importantes com os Surrealistas Portugueses.
São, assim, apresentadas múltiplas técnicas da produção plástica dos artistas que estiveram presentes na intervenção Surrealista Nacional e Internacional.
O visitante poderá revisitar a onírica e a verdade de cada um dos artistas representados, percorrendo as suas  realidades pessoais e emocionais, com maior ou menor complexidade.

 

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  • Local Museu da Cidade de Aveiro
  • Data 26 de Janeiro a 2 de Março de 2019 | Aveiro
  • Hora 17h00