Masses O quam pulchra es & Missa Cantate Domino
Cupertinos
Na sequência dos aclamados e galardoados trabalhos discográficos dedicados a Manuel Cardoso, Duarte Lobo, Pedro de Cristo e Filipe de Magalhães, em parceria com a conceituada editora Hyperion Records, o grupo vocal Cupertinos dedica o presente registo a Francisco Garro, um dos mais destacados e intrigantes vultos da História e da Historiografia da Música em Portugal.
Natural de Alfaro—vetusta urbe espanhola situada no vale do rio Ebro, entre Saragoça e Logroño—foi Mestre de Capela na Catedral de Sigüenza antes de, no contexto ibérico da Monarquia Dual (1580-1640), ser nomeado Mestre da Capela Real de Lisboa em substituição de António Carreira. Protagonista incontornável na transição entre os séculos XVI e XVII, ocupou aquele cargo por mais de três décadas, colaborando com Filipe de Magalhães—que o viria a suceder—e publicando, em 1609, dois volumes de obras sacras impressos na tipografia lisboeta de Pieter van Craesbeeck, precursores da edição musical com caracteres móveis em Portugal. Estas duas colecções, formal e conceptualmente distintas—uma em livro de coro, outra em livros de partes dedicada integralmente ao repertório policoral—constituem as fontes do alinhamento aqui proposto pelo grupo vocal Cupertinos.
A coincidência da publicação de ambas no mesmo ano, aliada a uma putativa gralha na grafia do apelido, espoletou um duradouro equívoco historiográfico, replicado por Barbosa Machado, Joaquim de Vasconcelos e Ernesto Vieira, que apenas no final do século XIX começou a questionar a existência de um alegado “Francisco Garcia”, atribuindo correctamente as obras ao compositor espanhol Francisco Garro. O esclarecimento definitivo surgiria apenas em 1956, quando Manuel Joaquim fixou a identificação de duas publicações distintas, com conteúdos diversos e formatos diferentes.
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Luís Toscano & José Abreu © 2026
Excertos áudio e pormenores na página da Hyperion
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